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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sem Nós


Chegou então o previsto momento. Cada um tomou um rumo. O silêncio que colava nossos lábios não nos permitiu um ultimo beijo. E foi assim que parti, sem bússola nem mapa, carregando comigo apenas teu olhar, e a lembrança do teu sorriso. Um dia criei regras para não dizer adeus, mas fui quebrando uma a uma, e recebi tal penitência. Não mais posso te admirar em teu acordar tão doce. Não mais miro os teus olhos verdes, como as adolescentes folhas da primavera. Tua boca, quente e macia, não mais toca a minha, tão pequena e delicada. Nossos corpos já não aquecem os lençóis, vazios e solitários. Meu lado da cama chora minha ausência, enquanto que o teu implora minha volta. E nessas lentas horas o vento acusa, você brinca de menino durão, e eu de mocinha orgulhosa.  



terça-feira, 30 de agosto de 2011

Início

Sofri, chorei
Perdi, rezei
Acolhi-me com um lápis
E um caderno antigo
Escrevi palavras tolas
E percebi que havia sentido
Continuei, e fui gostando
Melhorando
Aprendendo
Crescendo
E as palavras acompanhando
Fase por fase
Tempo a tempo
Agora sei o que escrevo
Sei o que ganho
Sei o que perco
Sem o que tenho
E o que eu quero
Sei o que odeio
E o que venero
Eu cresci escrevendo
E por que não dizer lendo?
Li bastante, entendi
Assim conheci outros lados
E vou conhecendo
Isso me alegra
Mexe comigo
Disso eu entendo
Passam os dias
Escrevo mais
As inspirações mudam
A autora? Jamais
Diversos olhares
Um coração frio
E atos covardes
Pobre menina
Escreve sozinha
Com uma mente cheia
E uma alma vazia
Mas de que importa?
As palavras estão aí
Ajudam quem podem
E quem não, paciência
Ela tenta
E quanto aguenta
Esta sou eu
E me admiro
Por tirar do escuro coisas lindas
E de rostos tristes um sorriso.