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sábado, 10 de setembro de 2011

DESILUSÃO.

Lá estava ela, mais uma vez, escrevendo palavras de decepção. O calor da raiva a protegia do frio do lamento da inocência. Acreditou firmemente que a máscara tinha sido retirada, apostou todas as cartas, perdeu em mais um jogo. Agora sorri ironicamente diante do orgulho. Busca consolo imediato, um ombro amigo, mas teme a aproximação. Sente a solidão. Não é capaz de chorar, pois deixou seu coração em uma vila não tão distante. Só lamenta como creu, como pensou, o quando esteve disposta, e para nada. Tanto que seria em vão. Não consegue levantar, não tem mais força alguma. Perderia uma batalha como um galho despenca em uma cachoeira. Seria levada fácil e lentamente pelas águas correntes. Por que escrever, se pode flutuar? Poderia cessar sua tristeza sob a chuva, esperar o arco-íris colorir seus olhos. Mas sendo tão delicada, não sobreviveria aos pingos pesados. Queimaria lentamente nas chamas mais ardentes, e não derramaria uma lágrima sequer. Pra que lamentar, se pode arder? Talvez gostasse, talvez tivesse acostumado com a dor. Nem mesmo ela sabia responder o que se passava em sua mente diante de mais um show. Fim de cena, e lá estava ela, sentada, escrevendo palavras de decepção. No papel não caía uma lágrima, não era capaz de chorar, um dia deixou seu coração no São Francisco!




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