Lá estava ela, mais uma vez, escrevendo palavras de decepção. O calor da raiva a protegia do frio do lamento da inocência. Acreditou firmemente que a máscara tinha sido retirada, apostou todas as cartas, perdeu em mais um jogo. Agora sorri ironicamente diante do orgulho. Busca consolo imediato, um ombro amigo, mas teme a aproximação. Sente a solidão. Não é capaz de chorar, pois deixou seu coração em uma vila não tão distante. Só lamenta como creu, como pensou, o quando esteve disposta, e para nada. Tanto que seria em vão. Não consegue levantar, não tem mais força alguma. Perderia uma batalha como um galho despenca em uma cachoeira. Seria levada fácil e lentamente pelas águas correntes. Por que escrever, se pode flutuar? Poderia cessar sua tristeza sob a chuva, esperar o arco-íris colorir seus olhos. Mas sendo tão delicada, não sobreviveria aos pingos pesados. Queimaria lentamente nas chamas mais ardentes, e não derramaria uma lágrima sequer. Pra que lamentar, se pode arder? Talvez gostasse, talvez tivesse acostumado com a dor. Nem mesmo ela sabia responder o que se passava em sua mente diante de mais um show. Fim de cena, e lá estava ela, sentada, escrevendo palavras de decepção. No papel não caía uma lágrima, não era capaz de chorar, um dia deixou seu coração no São Francisco!
sábado, 10 de setembro de 2011
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